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Sublime resquício de ser Humano na era Digital

Sublime resquício de ser Humano na era Digital

Artigo de Opinião de Hugo Palma

Edição Impressa do Jornal Correio de Lagos 348 · OUTUBRO 2019                                                          
 

Sublime resquício de ser Humano na era Digital

«Na vida percorremos várias existências, julgamos tocar e sentir tudo, porém em nada nos despojamos» 

Saudações Lacobrigenses, na evolução civilizacional em que sobrevivemos existe a dicotomia Hi touch vs. Hi tech. Nesta realidade devemos sempre preservar o nosso cérebro, órgãos dos sentidos e coração, para explorar e viver o mundo humanamente. Será preferível um abraço e beijo apertado de quem amamos ou um gosto distante nas redes sociais. A tecnologia é uma ferramenta extremamente valiosa que nos vai levar além do que imaginamos. Nada nos serve exaltar a velha memória do velho do restelo, pois o mundo não estagna na sua evolução!  Porém existe um desfasamento quanto à utilização tecnológica que dispomos e o modo como nos relacionamos. Estamos perante um processo de aprendizagem e conflito Intergeracional. O ser humano comanda o seu destino e as tecnologias são apenas ferramentas, a sociedade deve preparar os cidadãos do futuro, para um aprofundamento do autoconhecimento pessoal e relacional. Desta forma não existir a ruptura do que é elementar na vida.

O prazer de sentir e tocar intrínseco ao ser humano debate-se com o fascínio da realidade virtual e infinitas possibilidades. A vida é feita de comportamentos e de como nos adequamos às evoluções do tempo em sociedade. Devemos ter consciência do que somos e para onde vamos na nossa história de relações humanas. Temos a obrigação de transmitir às crianças do amanhã, a importância de valores humanos prestes a tornarem-se obsoletos na sociedade actual. Concretamente do ser humano com empatia pelo próximo partilhando valores de respeito, integridade e desejo de partilhar uma conversa genuína. Sem falsas pretensões, pois, só vivemos uma vez de cada vez. O tempo escasseia e reivindicamos pouco em vida a essência da pura frugalidade. Devemos viver embrenhados na imaginação, curiosidade, integridade e busca incessante por emoções significativas e conhecimento.

Não um sonhar acordado embebido em dúbias crenças com um acreditar frívolo nas maleitas da condição humana. Ser naïf sabia tão bem na infância, no entanto quando crescemos nunca podemos cair no erro de ser um menino numa “casa de acompanhantes”. Só por existir e só por duvidar vemos sempre duas almas em guerra, em todos os seres que encontramos no nosso caminho, assistimos a essa luta interna. Todos padecemos da mesma particularidade, o nosso comportamento depende da forma como elaboramos o sofrimento psíquico e superamos as nossas maleitas.

Evoco uma antiga historia transgeracional, em que a condição humana e psicológica é espelhada da forma mais simplista: Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o eterno combate que acontece dentro das pessoas. Disse-lhe: - A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é a personificação do Mal: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego. O outro é o Bem: é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: - Qual é o lobo que vence, Avô? O velho índio respondeu: - Aquele que tu alimentas! A luta é sempre árdua e singular pois ninguém se põe nos nossos pés e faz a nossa caminhada, depende apenas de nós optarmos que comportamentos e pensamentos desejamos concretizar. Para mim não é solução preencher o vazio existêncial com criação de falsas necessidades impostas por uma sociedade em falência do elementar desejo de ser feliz com dignidade. É essencial imaginar que podemos fazer melhor e superarmos a melhor versão do nosso ser. Sermos curiosos quanto ao que nos rodeia, procurando arrumar os nossos esqueletos no armário. Nunca somos aquilo em que pensamos acreditar convictamente. Somos apenas o resultado da singularidade de todos os erros, obstáculos e relações que experienciamos.

Devemos cimentar de forma sustentável a aprendizagem com vontade de viver condignamente e preencher o vazio da existência supérflua de falsas necessidades. Devemos preservar a liberdade de pensar, sentir e comportarmo-nos com integridade em sociedade de forma democrática. Não devemos dizer que sim à engrenagem quando o sistema nos consome e aleija. Rendermo-nos a comprar um gelado no polo norte ou areia no deserto só porque todos o fazem. Os direitos humanos são a base de todas as reivindicações e um passaro livre não deve ser enjaulado na banalidade do ser por ser, sem liberdade. O conhecimento é poder e o sentir constitui seu maior aliado.

O equilíbrio entre  preservar o que nos faz ser e sentir humanos e a serventia ao maravilhoso mundo tecnológico é o sublime resquício de ser humano na era Digital. 

                                                            Música do mês de Outubro:  WuTang Clan - Back In The Game 

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