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Psicologia do Desporto

Psicologia do Desporto

Artigo de opinião de MIGUEL XAVIER SEQUEIRA  |Prof. de Educação Física|

|Edição 346 · AGOSTO 2019|                 

Cristiano Ronaldo quando tinha 17 anos e passou a frequentar o balneário dos jogadores seniores do Sporting Clube de Portugal, quando confrontado com alguma provocação de um seu colega mais velho, perante a estupefação destes respondia “Eu ainda vou ser o melhor jogador do mundo”. De que forma é que a Auto motivação e a confiança em si próprio de um atleta pode ser decisivo na sua performance? Eusébio da Silva Ferreira quase no final de um jogo extremamente importante, com a sua equipa em desvantagem no marcador desferiu um remate ao qual o guarda-redes adversário se opôs brilhantemente. Eusébio aproximou-se dele e cumprimentou-o felicitando pela grande e importante defesa. Só alguém com uma suprema adoração pelo jogo e uma sagaz procura pela excelência poderia ter tido uma ação assim. São as características físicas aliadas às características psicológicas que definem os grandes atletas. A excelência da performance está intrinsecamente associada a esta aliança. Em todas as modalidades desportivas os atletas são confrontados com situações de enorme stress competitivo, em que têm que gerir as suas emoções da melhor forma possível, de forma a não prejudicarem o seu desempenho e o da equipa. Da gestão dessas emoções e da sua compreensão ocupa-se a Psicologia do Desporto.      Podemos resumir Psicologia do Desporto como “o estudo do comportamento humano em situação desportiva” (Brito, 1990). Existem dois grandes objetivos nos estudos realizados em Psicologia do Desporto, compreender o efeito dos fatores psicológicos no desempenho motor, por exemplo como é que a ansiedade afeta a precisão de uma tacada de um jogador de Snooker e compreender o efeito da atividade física no desenvolvimento psicológico, por exemplo se o atleta sente ou não uma sensação de bem-estar após a atividade física. A Psicologia do Desporto surgiu no final do século XIX, nos Estados Unidos da América. Norman Triplett foi o autor do primeiro estudo na área. Este psicólogo da Universidade de Indiana estudou os efeitos dos outros no desempenho dos atletas na modalidade de Ciclismo. Nos anos vinte e trinta do século passado, o psicólogo Coleman Griffith, da Universidade de Illinois, teve uma grande importância no desenvolvimento desta área, através da criação de laboratórios e trabalhos de investigação. Alguns anos mais tarde Franklin Henry, da Universidade da Califórnia, também foi muito importante pois liderou vários programas de investigação. Em 1965 foi realizado o primeiro congresso mundial de Psicologia do Desporto, em Roma, nesse ano é criada a sociedade internacional de Psicologia do Desporto, que tinha o italiano Ferrucio Antonelli como seu presidente. Em 1979 é criado o jornal da Psicologia do Desporto nos Estados Unidos da América. Em 1980 o comité olímpico americano desenvolve um quadro de concelhia em Psicologia do Desporto. Em 1985 o Comité Olímpico Americano contrata o primeiro psicólogo do Desporto a tempo inteiro. Com o passar dos anos, com o desenvolvimento e a evolução desta área cada vez mais Psicólogos do Desporto passaram a trabalhar com os principais  atletas e equipas da Europa e do Mundo.   Hoje em dia a Psicologia do Desporto tem uma extrema importância no Desporto de alta competição. A motivação é um dos campos de estudo da Psicologia do Desporto. Sage em 1977 definiu-a da seguinte maneira “A motivação pode ser definida simplesmente como, a direção e intensidade do empenho (esforço) de alguém”. Singer em 1984 referiu que “a motivação é responsável pela seleção e preferência por alguma atividade, pela persistência nessa atividade, pela intensidade e vigor (esforço) do rendimento e pelo caráter adequado ao rendimento relativamente a determinados padrões”. Weinberg e Gould em 1995 referiram que “a motivação para a realização pode ser definida como a tendência para lutar pelo sucesso, persistir em face ao fracasso e experienciar orgulho pelos resultados conseguidos”. Nos atletas de alta competição os melhores executores parecem sempre mais motivados do que os outros, parecem mais “apaixonados” pelo jogo do que os outros. Esse gosto por aquilo que se está a fazer, sendo comum em todas as modalidades desportivas, é ab
nar o comportamento desportivo. É necessário então conhecer profundamente os atletas e os seus sentimentos para que estes possam ser ajudados a lidar melhor com essas condicionantes, através de mecanismos próprios que são trabalhados na Psicologia do Desporto, nomeadamente a identificação da relação ótima entre o nível de ativação e as emoções, o reconhecimento da interação entre os fatores pessoais e situacionais, o reconhecimento dos sinais do nível de ativação e do estado de ansiedade, a individualização das estratégias a transmitir e o desenvolvimento da confiança nos atletas. O Feedback e o reforço é outra área trabalhada e investigada na Psicologia do Desporto, ou seja, de que forma é que os reforços positivos ou negativos podem influenciar o desempenho de um atleta. Também nesta área o profundo conhecimento da personalidade e características dos atletas é muito importante, pois duas pessoas podem reagir de maneira diferente ao mesmo reforço. No entanto, uma premissa da área refere que um reforço positivo induz a pessoa a tentar repetir o comportamento e um reforço negativo induz a pessoa a tentar não repetir o comportamento. Têm sido feito estudos nesta área sobre as consequências da utilização de ambos os reforços e do tipo de metodologia aplicada pelos treinadores, que acaba por ser única, pois cada treinador tem o seu próprio estilo e maneira de tentar incentivar os seus atletas. No entanto, uma excessiva utilização da crítica pode levar o atleta a ter medo de falhar e a reduzir bastante o seu desempenho. Os reforços positivos devem ser os mais utlizados para tentar modificar comportamentos, pois os negativos poderão ter efeitos secundários negativos, no entanto por vezes são necessários. Os psicólogos do Desporto utilizam muito exercícios de respiração com os seus atletas, tanto no período pré-competitivo, como durante e pós-competitivo. São também muito utilizados exercícios de visualização de imagens (imagética). A Psicologia do Desporto é uma disciplina de uma enorme extensão e potencial, que deve ser aproveitada por todos aqueles que se dedicam ao desporto de competição e lazer, para que possa haver uma melhoria na prestação dos atletas e para que estes possam vivenciar de uma forma mais completa e satisfatória as suas atividades.      

 

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